1 Apresentação

Este relatório apresenta a avaliação de risco de sarampo e rubéola para todos os municípios brasileiros, utilizando metodologia baseada em indicadores de:

  • Cobertura Vacinal (Eixo 1)
  • Risco de Casos/Surtos (Eixo 2)
  • Vigilância Epidemiológica (Eixo 3)

1.1 Metodologia

1.1.1 Indicadores Avaliados

EIXO 1: COBERTURA VACINAL (VC_SCORE: 0-5 pontos) - 5 indicadores binários (0 ou 1)

EIXO 2: RISCO DE CASOS (PIC_SCORE: 0-7 pontos) - 1 indicador graduado (turismo: 0-3 pontos) - 4 indicadores binários (0 ou 1)

EIXO 3: VIGILÂNCIA (VIG_SCORE: 0-5 pontos) - 5 indicadores binários (0 ou 1) - Score Total: 0 a 17 pontos

1.1.2 Classificação de Risco

Todos os mapas utilizam 4 categorias padronizadas:

  • Baixo risco: Manutenção da eliminação
  • ⚠️ Médio risco: Monitoramento intensificado
  • 🟠 Alto risco: Intervenção recomendada
  • 🔴 Altíssimo risco: Prioridade máxima para o MS

Cortes para SCORE_TOTAL (0-17 pontos):

  • 0-2: Baixo risco
  • 3-6: Médio risco
  • 7-11: Alto risco
  • 12-17: Altíssimo risco

2 Preparação dos Dados

## ✓ Base carregada: 5571 municípios
## ✓ Scores calculados
## ✓ Classificações criadas
## Carregando shapefile local...
##   ✓ Shapefile encontrado: ../Data/shapefiles/admin2.shp
##   Colunas no shapefile: ADMIN1_, GEO_ID, ADMIN1, ADMIN2, geometry
##   ✓ Coluna identificada: GEO_ID (padrão: ^GEO_ID$ )
## ✓ Shapefile carregado: 5570 polígonos
##   Primeiros geocódigos: 1100015, 1100023, 1100031
## ✓ Merge realizado
##   Municípios totais: 5570
##   Municípios com dados: 5565
##   Pareamento: 99.9 %
## 
##     Baixo risco     Médio risco      Alto risco Altíssimo risco 
##              17            3025            2468              60

3 Resumo Executivo

3.1 Estatísticas Descritivas

Estatísticas Descritivas dos Scores
Média VC_SCORE Média PIC_SCORE Média VIG_SCORE Média SCORE_TOTAL Max SCORE_TOTAL
2.84 2.22 1.44 6.5 13

3.2 Distribuição por Categoria

Distribuição de Municípios por Categoria de Risco (SCORE_TOTAL)
Categoria de Risco Nº Municípios % Total
Baixo risco 17 0.3
Médio risco 3025 54.3
Alto risco 2468 44.3
Altíssimo risco 61 1.1

3.3 Histograma

3.4 Top 20 Municípios


4 Mapas Estratégicos

4.1 Mapa 1: Cobertura Vacinal

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 569
Médio risco 1673
Alto risco 2999
Altíssimo risco 330

4.2 Mapa 2: Risco de Casos/Surtos

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 1666
Médio risco 2876
Alto risco 1016
Altíssimo risco 13

4.3 Mapa 3: Vigilância Epidemiológica

Distribuição:

Distribuição de Municípios por Qualidade da Vigilância
Classificação Nº Municípios % Total
Baixo risco 83 1.5
Médio risco 1548 27.8
Alto risco 346 6.2
Altíssimo risco 28 0.5
Sem notificações (não classificável) 3566 64.0

Nota importante: Municípios sem notificações aparecem em CINZA no mapa (não classificáveis). Ver Mapa 9 para análise específica do silêncio epidemiológico.

4.4 Mapa 4: VC + PIC

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 994
Médio risco 3498
Alto risco 1041
Altíssimo risco 38

4.5 Mapa 5: VC + VIG

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 415
Médio risco 4137
Alto risco 1016
Altíssimo risco 3

4.6 Mapa 6: PIC + VIG

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 2959
Médio risco 2417
Alto risco 189
Altíssimo risco 6

4.7 ⭐ Mapa 7: SCORE TOTAL

Distribuição:

Classificação N
Baixo risco 17
Médio risco 3025
Alto risco 2468
Altíssimo risco 61

4.8 Mapa 8: Top 200 Municípios

4.9 Mapa 9: Silêncio Epidemiológico

Distribuição:

Municípios em Silêncio Epidemiológico por Tipo de Risco Adicional
Tipo de Silêncio Nº Municípios
Silêncio + Turismo 1724
Silêncio Simples 980
Silêncio + Vulnerabilidade 862

Interpretação:

  • Silêncio + Turismo: Municípios sem notificações mas com fluxo turístico (maior risco de importação)
  • Silêncio + Vulnerabilidade: Municípios sem notificações + alta vulnerabilidade social (menor acesso)
  • Silêncio + Grupos Vulneráveis: Municípios sem notificações + populações indígenas/quilombolas
  • Silêncio Simples: Municípios sem notificações e sem fatores adicionais de risco

Ação recomendada: Todos os municípios em silêncio requerem investigação ativa (busca em prontuários, capacitação profissional), mas aqueles com fatores de risco adicionais são PRIORIDADE MÁXIMA.


5 Análise Regional

5.1 Scores Médios por Região

Scores médios por macrorregião
Região N Municípios VC PIC VIG Total
NORTE 450 3.34 2.42 1.63 7.39
SUDESTE 1668 2.79 2.37 1.51 6.66
NORDESTE 1794 2.91 2.26 1.35 6.52
SUL 1191 2.57 2.11 1.42 6.11
CENTRO-OESTE 468 2.98 1.57 1.46 6.01

5.2 Distribuição por Região


6 Tabelas Completas por Mapa

Esta seção apresenta tabelas interativas com todos os municípios para cada mapa estratégico.

6.1 Tabela 1: Cobertura Vacinal

6.2 Tabela 2: Risco de Casos/Surtos

6.3 Tabela 3: Vigilância Epidemiológica

6.4 ⭐ Tabela 7: SCORE TOTAL

6.5 Tabela Combinada: Todos os Indicadores


7 Municípios Prioritários


8 Conclusões e Recomendações

8.1 Principais Achados

Com base na análise dos dados de 5.570 municípios brasileiros:

8.1.1 Por Eixo de Avaliação

1. Cobertura Vacinal (VC_SCORE) - Identifica municípios com baixa cobertura de D1 e D2 - Avalia capacidade da APS e abandono vacinal - Considera população fora da escola

2. Risco de Surto (PIC_SCORE) - Municípios turísticos apresentam maior risco - IVS alto correlaciona com vulnerabilidade - Densidade populacional é fator de risco

3. Vigilância Epidemiológica (VIG_SCORE) - Silêncio epidemiológico preocupante - Necessidade de melhorar investigação oportuna - Qualidade da investigação precisa ser fortalecida

8.2 Recomendações Operacionais

8.2.1 Para Municípios de Alto e Altíssimo Risco

  1. Intensificação vacinal em áreas com baixa cobertura
  2. Busca ativa de não vacinados
  3. Fortalecimento da vigilância epidemiológica
  4. Capacitação de equipes locais
  5. Monitoramento mensal de indicadores

8.2.2 Para Municípios Turísticos

  1. Barreiras sanitárias em pontos de entrada
  2. Campanhas específicas para visitantes
  3. Parcerias com setor turístico
  4. Comunicação de risco direcionada

8.2.3 Para Municípios em Silêncio Epidemiológico

  1. Investigação de subnotificação
  2. Sensibilização de profissionais de saúde
  3. Melhoria de sistemas de informação
  4. Feedback regular sobre notificações

9 Metodologia - Apêndice

9.1 Tabela Completa de Indicadores

Indicadores de Risco - Detalhamento Completo
Eixo Indicador Pontos
VC (0-5) vc_1: Cobertura D1 <95% 1
VC (0-5) vc_2: Cobertura D2 <95% 1
VC (0-5) vc_3: Cobertura APS baixa 1
VC (0-5) vc_4: Taxa abandono alta 1
VC (0-5) vc_5: % fora escola alta 1
PIC (0-7) pic_1: IVS alto 1
PIC (0-7) pic_2: Município turístico (0-3) 0-3
PIC (0-7) pic_3: Grupos vulneráveis 1
PIC (0-7) pic_4: Sem RRT 1
PIC (0-7) pic_5: Alta densidade 1
VIG (0-5) vig_1: Silêncio epidemiológico 1
VIG (0-5) vig_2: Investigação não oportuna 1
VIG (0-5) vig_3: Coleta não oportuna 1
VIG (0-5) vig_4: Investigação não adequada 1
VIG (0-5) vig_5: Sem exame laboratorial 1

9.2 Fontes de Dados

  • Cobertura Vacinal: SI-PNI (Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações)
  • Vigilância: SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação)
  • Turismo: MTUR (Ministério do Turismo)
  • População: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
  • IVS: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

9.3 Período de Referência

Dados consolidados do período 2020-2024.

9.4 Classificação de Risco

Score Total Classificação Interpretação
0-2 Baixo risco Manutenção da eliminação
3-6 Médio risco Monitoramento intensificado
7-11 Alto risco Intervenção recomendada
12-17 Altíssimo risco Prioridade máxima MS

Documento gerado em: 2026-01-21 14:58:53.270143


10 Notas Metodológicas Importantes

10.1 Entendendo os Indicadores de Vigilância

10.1.1 O que significa cada indicador do Eixo de Vigilância?

O sistema de vigilância epidemiológica para sarampo e rubéola funciona como um sistema de alarme: precisa detectar casos rapidamente, investigá-los adequadamente e coletar amostras para confirmação laboratorial. Cada um dos 5 indicadores avalia uma etapa crítica desse processo.


10.1.2 Indicador 1: Taxa de Notificação

O que é:
Meta mínima de casos suspeitos que cada município deveria notificar: - Municípios com ≥100.000 habitantes: pelo menos 2 casos por 100.000 habitantes - Municípios com <100.000 habitantes: pelo menos 1 caso notificado

Por que é importante:
Em um país em fase de eliminação, ainda esperamos alguns casos suspeitos (que podem ser outros exantemas virais, reações vacinais, ou importações). Uma taxa muito baixa ou zero notificações pode indicar: - Sistema de vigilância pouco sensível (não está detectando) - Profissionais de saúde não notificando casos suspeitos - Subnotificação

Como pontua: - ✅ 0 pontos = Município atingiu a meta de notificação - ⚠️ 1 ponto = Município NÃO atingiu a meta (possível subnotificação)

Situação no Brasil: - 98% dos municípios (5.455) não atingem a meta de notificação - Apenas 2% (116 municípios) têm taxa adequada - Achado crítico: Sugere subnotificação massiva ou baixa sensibilidade do sistema nacional


10.1.3 Indicador 2: Investigação Oportuna

O que é:
Porcentagem de casos suspeitos que foram investigados em até 48 horas após a notificação.

Por que é importante:
Sarampo e rubéola são altamente contagiosos. A investigação rápida permite: - Identificar contatos e vacinação de bloqueio - Prevenir surtos - Coletar informações enquanto ainda estão “frescas”

Como pontua: - ✅ 0 pontos = ≥80% dos casos investigados em ≤48h - ⚠️ 1 ponto = <80% dos casos investigados oportunamente - ℹ️ 0 pontos = Sem notificações suficientes para calcular (não penaliza)


10.1.4 Indicador 3: Coleta Oportuna de Amostra

O que é:
Porcentagem de casos em que amostra de sangue foi coletada em até 30 dias do início do exantema.

Por que é importante:
O diagnóstico laboratorial (sorologia) só funciona se a amostra for coletada no período correto: - Muito cedo: ainda não há anticorpos - Muito tarde: anticorpos podem ter diminuído - Janela ideal: 1-30 dias após o exantema

Como pontua: - ✅ 0 pontos = ≥80% coletadas oportunamente - ⚠️ 1 ponto = <80% coletadas oportunamente - ℹ️ 0 pontos = Sem notificações suficientes (não penaliza)


10.1.5 Indicador 4: Qualidade da Investigação

O que é:
Porcentagem de fichas de investigação com pelo menos 8 dos 11 campos essenciais preenchidos.

Por que é importante:
Uma investigação incompleta dificulta: - Classificação adequada do caso (confirmado vs descartado) - Identificação da fonte de infecção - Rastreamento de contatos - Análise epidemiológica para tomada de decisão

Campos essenciais incluem: data do exantema, histórico vacinal, sintomas, contatos, fonte de infecção, etc.

Como pontua: - ✅ 0 pontos = ≥80% das investigações adequadas - ⚠️ 1 ponto = <80% das investigações adequadas - ℹ️ 0 pontos = Sem notificações suficientes (não penaliza)


10.1.6 Indicador 5: Encerramento Laboratorial

O que é:
Porcentagem de casos que tiveram resultado laboratorial (sorologia, PCR ou isolamento viral).

Por que é importante:
Para manter a certificação de eliminação, TODO caso suspeito precisa ser confirmado ou descartado laboratorialmente. Não podemos confiar apenas em critérios clínicos.

Sem resultado laboratorial: - Não sabemos se era realmente sarampo/rubéola - Pode haver transmissão silenciosa não detectada - Compromete a certificação de eliminação

Como pontua: - ✅ 0 pontos = ≥80% dos casos com resultado laboratorial - ⚠️ 1 ponto = <80% dos casos com resultado laboratorial - ℹ️ 0 pontos = Sem notificações suficientes (não penaliza)


10.2 Interpretação do VIG_SCORE

10.2.1 O que significa cada pontuação?

O VIG_SCORE (0-5 pontos) resume a qualidade do sistema de vigilância do município quando há notificações:

Score Classificação (Mapa 3) O que significa Ação recomendada
0-1 ✅ Baixo risco (Verde) Sistema funcionando bem Manutenção
2 ⚠️ Médio risco (Amarelo) 2 indicadores com problema Monitoramento
3-5 🚨 Alto risco (Laranja) 3+ indicadores ruins Intervenção urgente
⚪ Silêncio (Cinza) ZERO notificações Investigação ativa

⚠️ ATENÇÃO: Municípios com ZERO notificações são classificados como “Silêncio Epidemiológico” (CINZA) independente do VIG_SCORE, porque: - Não sabemos se realmente não há casos - OU se o sistema simplesmente não está detectando - Requerem investigação ativa para esclarecer


10.2.2 Exemplos práticos:

Exemplo 1: Município com Classificação BAIXO RISCO (Verde)

✅ Taxa de notificação adequada (≥2/100k) - TEM notificações
✅ ≥80% investigados em 48h
✅ ≥80% amostras coletadas oportunamente
✅ ≥80% investigações completas
✅ ≥80% com resultado laboratorial
→ VIG_SCORE = 0 | Sistema funcionando perfeitamente!

Exemplo 2: Município com Classificação MÉDIO RISCO (Amarelo)

⚠️ Taxa de notificação baixa (vig_1 = 1) - mas TEM notificações
✅ Investigação oportuna OK
⚠️ Coleta fora do prazo (vig_3 = 1)
✅ Investigação adequada OK
✅ Encerramento laboratorial OK
→ VIG_SCORE = 2 | Precisa melhorar detecção e coleta de amostras

Exemplo 3: Município com Classificação ALTO RISCO (Laranja)

✅ Taxa de notificação OK - está detectando
⚠️ Demora para investigar (>48h)
⚠️ Coleta amostras fora do prazo
⚠️ Investigações incompletas
⚠️ Poucos resultados laboratoriais
→ VIG_SCORE = 4 | Detecta mas NÃO responde adequadamente!

Exemplo 4: Município com SILÊNCIO EPIDEMIOLÓGICO (Cinza) ⚠️

⚪ ZERO notificações nos últimos 5 anos
❓ Não sabemos se:
   - Realmente não houve casos (bom)
   - OU sistema não está detectando (ruim)
→ Classificação: SILÊNCIO (cinza) | Requer investigação ativa!

Importante: O Exemplo 4 mostra por que silêncio NÃO pode ser “baixo risco”: - VIG_SCORE seria 1 (só vig_1 pontua) - MAS não temos como saber se o sistema funciona - É um “ponto de interrogação” que precisa ser investigado


10.3 Sobre “Silêncio Epidemiológico”

10.3.1 ⚠️ MUDANÇA IMPORTANTE: Como a Vigilância é Classificada

Neste relatório, municípios SEM notificações são tratados de forma especial:

10.3.1.1 No Mapa 3 (Vigilância Epidemiológica):

Municípios são classificados em:

  1. Verde (Baixo risco): VIG_SCORE 0-1 + tem notificações
  2. Amarelo (Médio risco): VIG_SCORE 2 + tem notificações
  3. Laranja (Alto risco): VIG_SCORE 3-4 + tem notificações
  4. Vermelho (Altíssimo risco): VIG_SCORE 5 + tem notificações
  5. CINZA (Não classificável): ZERO notificações = sem dados para avaliar qualidade

Justificativa:

Um município com zero notificações não pode ser classificado como “baixo risco” de vigilância porque: - Não temos dados para avaliar a qualidade das investigações - Não sabemos se é eliminação real OU subnotificação - Sistema pode estar “cego” para casos existentes

Por isso, municípios silenciosos não entram na distribuição de risco de vigilância - eles aparecem em CINZA e são analisados separadamente no Mapa 9.


10.3.1.2 No Mapa 9 (Silêncio Epidemiológico com Fatores de Risco):

Municípios SEM notificações são estratificados por fatores que aumentam a preocupação:

Categoria Significado Nível de preocupação
Silêncio + Turismo Sem notificação + município turístico 🔴 Muito alto
Silêncio + Vulnerabilidade Sem notificação + alta vulnerabilidade social 🔴 Alto
Silêncio + Grupos Vulneráveis Sem notificação + indígenas/quilombolas 🟠 Alto
Silêncio Simples Sem notificação, sem fatores adicionais 🟡 Moderado

Priorização: - Municípios em vermelho escuro (Silêncio + Turismo) = prioridade máxima para investigação ativa - Municípios em amarelo (Silêncio Simples) = monitoramento de rotina


10.3.2 O que é silêncio epidemiológico?

“Silêncio epidemiológico” refere-se a municípios com:

  1. ZERO notificações de casos suspeitos de sarampo/rubéola (em 5 anos)
  2. Contexto de risco que sugere que deveriam ter ao menos alguns casos suspeitos

Total de municípios em silêncio no Brasil: [ver Mapa 9]


10.3.3 Por que o silêncio é preocupante?

Um município sem nenhuma notificação pode indicar duas situações opostas:

10.3.3.1 Cenário Positivo (Eliminação Real):

✅ Realmente não houve casos suspeitos
✅ Sistema de vigilância funcionando
✅ Eliminação mantida com sucesso

10.3.3.2 Cenário Negativo (Subnotificação):

⚠️ Casos existem mas não estão sendo detectados
⚠️ Sistema de vigilância “cego” (baixa sensibilidade)
⚠️ Profissionais não suspeitam/notificam
⚠️ Transmissão silenciosa possível

O problema: Não conseguimos distinguir entre os dois cenários sem investigação ativa!


10.3.4 Silêncio ≠ Taxa de notificação inadequada

Esses são conceitos diferentes que avaliam problemas distintos:

10.3.4.1 Taxa de Notificação Inadequada (vig_1):

  • Município TEM notificações, mas abaixo da meta
  • Exemplo: 50 notif em cidade de 500k hab = 10/100k (meta é ≥2/100k)
  • Problema: Detecção insuficiente, mas pelo menos algo está sendo notificado
  • Pontuação: 1 ponto no VIG_SCORE

10.3.4.2 Silêncio Epidemiológico (Mapa 9):

  • Município tem ZERO notificações
  • Exemplo: 0 notif em município turístico de fronteira
  • Problema: Ausência total de notificações pode indicar sistema completamente inoperante
  • Tratamento: Categoria separada (CINZA), requer investigação qualitativa

Importante: Um município pode ter taxa adequada (vig_1 = 0) mas ainda assim estar em “médio” ou “alto” risco de vigilância se os outros indicadores (investigação, coleta, etc) estiverem ruins.


10.3.5 O que fazer com municípios silenciosos?

Municípios em silêncio epidemiológico requerem abordagem diferente da rotina:

10.3.5.1 Investigação Ativa:

  1. Busca retrospectiva: revisar prontuários dos últimos 2-3 anos em busca de casos não notificados
  2. Entrevistas: contatar unidades de saúde, laboratórios, hospitais
  3. Verificação de exantemas: levantar casos de “virose exantemática” não investigados

10.3.5.2 Fortalecimento do Sistema:

  1. Capacitação: treinar profissionais sobre definição de caso suspeito
  2. Sensibilização: campanhas educativas sobre sinais/sintomas
  3. Simplificação: facilitar fluxo de notificação
  4. Feedback: retornar informações aos profissionais que notificarem

10.3.5.3 Priorização:

  • Silêncio + Turismo: investigação ativa IMEDIATA (alto risco de caso importado)
  • Silêncio + Vulnerabilidade: apoio técnico intensificado
  • Silêncio Simples: monitoramento de rotina

Princípio fundamental: Nunca assumir que silêncio = ausência de doença sem investigação!


10.3.6 Impacto na Certificação de Eliminação

Para manter a certificação de eliminação, o Brasil precisa demonstrar:

  1. Cobertura vacinal adequada (Eixo VC)
  2. Sistema de vigilância sensível (Eixo VIG)
  3. ✅ **Capacidade de detectar casos* (Eixo PIC)

Municípios em silêncio representam uma vulnerabilidade porque: - Podem ter transmissão não detectada - Casos de sarampo podem passar despercebidas - Comprometem a credibilidade do sistema nacional

Recomendação: Reduzir gradualmente o número de municípios em silêncio através de: - Capacitação em larga escala - Busca ativa sistemática - Fortalecimento da atenção primária


10.4 Mudança Importante na Metodologia

10.4.1 Correção aplicada neste relatório

⚠️ ATENÇÃO: Este relatório utiliza uma metodologia corrigida em relação a versões anteriores.


10.4.2 O que mudou?

ANTES (versão anterior - incorreta):

vig_1_ind = as.numeric(class_silent)
  • Usava variável class_silent
  • Só aplicável a municípios com >100.000 habitantes
  • 3.566 municípios pequenos ficavam com NA → convertiam para 0 pontos
  • Resultado: Subestimava o problema de vigilância

DEPOIS (versão atual - correta):

vig_1_ind baseado em class_notification
  • Usa variável class_notification
  • Aplicável a TODOS os 5.571 municípios
  • Meta ajustada ao tamanho populacional
  • Resultado: Reflete a realidade nacional

10.4.3 Impacto da correção

Métrica Antes (incorreto) Depois (correto)
Municípios com vig_1 = 0 ~3.566 116
Municípios com vig_1 = 1 ~1.889 5.455
% com taxa inadequada ~34% 98%

Interpretação: - A correção revela que 98% dos municípios brasileiros não atingem a meta de notificação - Isso é um achado crítico que deve ser reportado - Sugere subnotificação massiva ou baixa sensibilidade do sistema nacional - NÃO é erro: é a realidade que estava sendo mascarada


10.4.4 Por que isso é importante para a certificação de eliminação?

Para manter a certificação de eliminação do sarampo e rubéola, o Brasil precisa:

  1. Cobertura vacinal ≥95% (Eixo VC)
  2. ✅ **Capacidade de detectar casos* (Eixo PIC)
  3. Sistema de vigilância sensível e oportuno (Eixo VIG) ⚠️

Achado crítico: Com 98% dos municípios não atingindo meta de notificação, há risco de: - Casos circulando sem detecção - Surtos não identificados precocemente - Perda da certificação

Recomendação: Fortalecimento urgente do sistema de vigilância nacional, com foco em: - Sensibilização de profissionais de saúde - Capacitação em suspeição clínica - Melhoria dos fluxos de notificação - Investigação ativa em áreas prioritárias


10.5 Perguntas Frequentes

10.5.1 1. Por que município sem notificações não recebe pontos em vig_2, vig_3, vig_4 e vig_5?

Resposta: Porque esses indicadores medem a qualidade da resposta quando há casos notificados. Se não há notificações: - Não há investigações para avaliar (vig_2) - Não há amostras para avaliar (vig_3, vig_5) - Não há fichas para avaliar (vig_4)

Penalizar pela ausência de dados seria dupla penalização: - Já foi penalizado em vig_1 (taxa de notificação inadequada) - Penalizar de novo em vig_2-5 seria injusto


10.5.2 2. Um município com VIG_SCORE = 1 é realmente de “baixo risco”?

Depende! VIG_SCORE = 1 pode significar:

Cenário A: Taxa de notificação baixa, mas quando detecta, investiga bem - Problema: DETECÇÃO (sensibilidade) - Risco: Casos podem passar despercebidos - Ação: Melhorar sensibilização profissional

Cenário B: Taxa adequada, mas 1 outro indicador ruim - Problema: RESPOSTA (oportunidade ou qualidade) - Risco: Casos detectados mas mal investigados - Ação: Melhorar processos de investigação

O score VIG sozinho não determina risco total - por isso combinamos com VC e PIC!


10.5.3 3. Por que tantos municípios têm VIG_SCORE alto?

Resposta: Reflete a realidade do sistema de vigilância brasileiro:

  1. 98% não atingem meta de notificação (vig_1 = 1 para quase todos)
  2. Dos que notificam, muitos têm qualidade ruim:
    • Investigação não oportuna (>48h)
    • Amostras fora do prazo (>30 dias)
    • Fichas incompletas
    • Sem resultado laboratorial

Isso NÃO é erro metodológico - é achado epidemiológico crítico que precisa ser: - Reportado às autoridades - Usado para priorizar fortalecimento da vigilância - Monitorado ao longo do tempo


10.5.4 4. Municípios pequenos/rurais são injustamente penalizados?

Não! A meta é ajustada ao tamanho: - Municípios grandes (≥100k): precisam ≥2 notificações/100k hab - Municípios pequenos (<100k): precisam apenas 1 notificação

Exemplo: - Município de 5.000 habitantes: meta = 1 notificação - Município de 500.000 habitantes: meta = 1.000 notificações

Se um município de 5 mil habitantes não tem nem 1 notificação em 5 anos, isso levanta suspeitas de subnotificação (a não ser que seja extremamente isolado).


10.5.5 5. Como usar este relatório na prática?

Para gestores municipais: 1. Buscar seu município na Tabela 3 (Vigilância) 2. Ver score e quais indicadores estão ruins 3. Priorizar ações conforme os indicadores problemáticos

Para gestores estaduais: 1. Usar Mapa 3 para identificar municípios com VIG_SCORE alto 2. Priorizar apoio técnico e capacitação 3. Investigar ativamente municípios em silêncio epidemiológico

Para nível federal: 1. Reconhecer que 98% dos municípios não atingem meta de notificação 2. Implementar estratégia nacional de fortalecimento da vigilância 3. Revisar se as metas são realistas ou precisam ajuste 4. Investir em capacitação em larga escala


10.6 Referências Técnicas

10.6.1 Base conceitual dos indicadores

Todos os indicadores utilizados neste relatório são baseados em:

  1. Guia de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde (Brasil)
  2. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação
  3. Plano de Ação para Manutenção da Eliminação do Sarampo, Rubéola e SRC
  4. OPAS/OMS - Documentos técnicos sobre eliminação de sarampo nas Américas

10.6.2 Metas e critérios

  • Taxa de notificação: ≥2 casos/100.000 hab ou ≥1 caso total
  • Investigação oportuna: ≥80% em ≤48 horas
  • Coleta oportuna: ≥80% em ≤30 dias do exantema
  • Investigação adequada: ≥80% com ≥8/11 campos essenciais
  • Encerramento laboratorial: ≥80% com resultado

10.6.3 Período de análise

  • Dados: 2020-2024 (5 anos)
  • Data de corte: Última atualização disponível nas bases nacionais

Relatório gerado em: 21/01/2026 14:58

Para dúvidas metodológicas, entre em contato com a equipe técnica responsável.